Alice von Battenberg

Alice von Battenberg, princesa

Victoria Alice Elisabeth Julie Marie von Battenberg, mais conhecida como Princesa Alice von Battenberg, nasceu em 25 de fevereiro de 1885 no Castelo de Windsor, na Inglaterra, e faleceu em 5 de dezembro de 1969 no Palácio de Buckingham, em Londres. Bisneta da rainha Vitória, foi a mãe do príncipe Philip, Duque de Edimburgo, e sogra da Rainha Elizabeth II do Reino Unido. Surda de nascença, construiu uma vida marcada pela fé, pela caridade e por atos de coragem que só foram plenamente reconhecidos décadas após a sua morte.

Alice Von BattenbergPrincesa Alice von Battenberg em 1885

A surdez

Alice nasceu com surdez congênita. Ainda bebê, sua mãe percebeu que ela demorava a aprender a falar e que sua pronúncia era indistinta. Foi a avó, a princesa de Battenberg, quem identificou o problema e a levou a um especialista em audição, que confirmou o diagnóstico.

Com o incentivo da mãe, Alice desenvolveu desde cedo a leitura labial e a fala. Aos 8 anos de idade já era uma leitora labial fluente em inglês e alemão. A mãe adotava uma postura firme: orientava os familiares a não repetirem palavras ou frases quando Alice não entendia, obrigando a menina a se apoiar cada vez mais na leitura dos lábios. Educada em casa, estudou depois o francês e, após o noivado, aprendeu o grego. Aos 18 anos, era capaz de falar e ler nos lábios em inglês, alemão e francês, habilidade rara que a acompanhou pela vida inteira e impressionava quem convivia com ela.

Muitos biógrafos apontam que a experiência da surdez pode tê-la tornado especialmente sensível às pessoas menos favorecidas e marginalizadas, sensibilidade que marcaria toda a sua trajetória.

Casamento e exílio

A princesa cresceu entre a Alemanha, a Inglaterra e o Mediterrâneo. Após o casamento com o príncipe Andreas da Grécia, em 1903, viveu na Grécia até o exílio da maior parte da família real, em 1917. Quando a família retornou ao país, alguns anos depois, seu marido foi responsabilizado parcialmente pela derrota grega na Guerra Greco-Turca, e todos foram novamente forçados ao exílio, situação que durou até a restauração da monarquia grega, em 1935.

Nos anos 1930, Alice enfrentou também um período de grave sofrimento psíquico: recebeu o diagnóstico de esquizofrenia e passou por internações em clínicas na Suíça, longe da família. Recuperada, dedicou o restante da vida à religião e ao trabalho humanitário.

Segunda Guerra Mundial

Alice permaneceu em Atenas durante a Segunda Guerra Mundial, onde abrigou refugiados e trabalhou com a Cruz Vermelha sueca e suíça em meio à ocupação nazista. Seu ato mais corajoso ficou escondido por décadas: ela ocultou em sua própria casa a viúva judia Rachel Cohen e dois de seus filhos, que fugiam da Gestapo e da deportação para os campos de extermínio. A surdez chegou a trabalhar a seu favor: diante de perguntas da Gestapo, a princesa simplesmente fingia não compreender.

Viveu ainda o drama de ter genros lutando do lado alemão enquanto o filho, o futuro príncipe Philip, servia na Marinha Real Britânica. Após a guerra, permaneceu na Grécia e, em janeiro de 1949, fundou a ordem ortodoxa de freiras enfermeiras conhecida como Irmandade Cristã de Marta e Maria.

Mudança para o Palácio de Buckingham

Após o golpe militar que derrubou o rei Constantino II da Grécia, em 1967, Alice foi convidada pelo filho e pela nora a morar no Palácio de Buckingham, em Londres, onde faleceu dois anos depois. Em 1988, seus restos mortais foram transferidos, conforme seu desejo, para a igreja de Santa Maria Madalena, no Monte das Oliveiras, em Jerusalém.

Justa entre as Nações

Em 1993, o Yad Vashem, o memorial do Holocausto em Jerusalém, reconheceu a princesa como "Justa entre as Nações", honraria concedida a quem arriscou a vida para salvar judeus durante o nazismo. A cerimônia, realizada em 1994, foi acompanhada pelos dois filhos vivos, o príncipe Philip e a princesa George de Hanôver. Em homenagem à mãe, o príncipe Philip declarou: "Suspeito que nunca lhe ocorreu que sua boa ação fosse de alguma forma especial. Ela era uma pessoa com profunda fé religiosa e considerava uma boa ação para outros seres humanos algo do seu cotidiano".

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Alice de Battenberg, a vida de superação da princesa surda

Alice de Battenberg, a vida de superação da princesa surda. Fonte: Silvana Tinelli

Referências:

PUBLISHERS WEEKLY. ALICE: Princess Andrew of Greece by Hugo Vickers (resenha). Disponível em: <https://www.publishersweekly.com/9780312288860>. Acesso em: 09 Jul. 2026

YAD VASHEM. Princess Alice. Disponível em: <https://www.yadvashem.org/righteous/stories/princess-alice.html>. Acesso em: 19 Nov. 2019

UNOFFICIAL ROYALTY. Princess Alice of Battenberg, Princess Andreas of Greece. Disponível em: <https://www.unofficialroyalty.com/princess-alice-of-battenberg-princess-andreas-of-greece/>. Acesso em: 09 Jul. 2026

WIENER LIBRARY, TEL AVIV UNIVERSITY. Righteous Among the Nations - Princess Alice of Battenberg. Disponível em: <https://en-cenlib.tau.ac.il/Righteous_Among_the_Nations_%20The_Princess_Alice_of_Battenberg>. Acesso em: 11 Jul. 2026

DANIEL ADAMSON. A Righteous Princess. Disponível em: <https://holocaustcentrenorth.org.uk/blog/a-righteous-princess/>. Acesso em: 11 Jul. 2026.

SILVANA TINELLI. Alice de Battenberg, a vida de superação da princesa surda. Disponível em: <https://www.silvanatinelli.com.br/vi-gostei/alice-de-battenberg-vida-de-superacao/>. Acesso em: 19 Dez. 2019.

SILVANA TINELLI. Alice de Batternberg, a vida de superacao da princesa surda - Video sobre a vida da princesa Alice de Battenberg, mae do principe Philip, e sua trajetoria como pessoa surda. 0. (). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=_X-sdsTExTQ>. Acesso em: 09 Jul. 2026.

VICKERS, HUGO. Alice: Princess Andrew of Greece. Londres: Hamish Hamilton, 2000.

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