Leo Castilho - o artista surdo que fez o Rock in Rio sinalizar
Leonardo Castilho, o Leo Castilho, é um multiartista surdo paulistano: ator, performer, educador, MC de poesia e produtor cultural. Ele ganhou o Brasil ao interpretar shows do Rock in Rio em Libras, com performances tão vibrantes que roubaram a cena nas transmissões e nas redes sociais, mostrando a milhões de pessoas que música também é experiência visual e corporal.
Surdo sinalizante, Leo é um poliglota das línguas de sinais: além da Libras e do português, é fluente em Sinais Internacionais (SI), na língua de sinais francesa (LSF) e na americana (ASL), um repertório que o levou a palcos e festivais também fora do Brasil, como o Clin d'Oeil, na França, o maior festival de artes surdas do mundo.
O educador do MAM e o Corposinalizante
A base da trajetória de Leo é a educação pela arte. Ele atua há mais de 15 anos no setor Educativo do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), como educador, produtor de acessibilidade e professor, criando também videoguias do acervo em Libras, para que visitantes surdos conheçam a arte moderna brasileira na própria língua.
No MAM, integra desde 2008 o Corposinalizante, coletivo e curso que investiga a poesia e a performance a partir do corpo e da língua de sinais, projeto premiado com o 1º lugar no Prêmio Darcy Ribeiro de 2009 (IPHAN/Ministério da Cultura). Do Corposinalizante nasceu o Slam do Corpo, a batalha de poesia que junta surdos e ouvintes no mesmo palco, onde Leo atua como MC, o mestre de cerimônias que conduz as batalhas em sinais.
Rock in Rio: a Libras no palco Sunset
A relação de Leo com o Rock in Rio começou em 2017, quando foi repórter em Libras do canal Multishow e interpretou no Palco Sunset os shows de Liniker e da BaianaSystem. Em 2022, voltou ao festival para interpretar Liniker (de novo) e Ludmilla, e as imagens de sua performance viralizaram: ele não traduz apenas a letra, ele performa a música inteira, do ritmo à emoção.
Leo explica o que o move: como muitos surdos não têm acesso a espaços culturais e festivais, foi a partir dessa falta que ele começou a aprender e a ocupar esses espaços. Ele também defende que artistas LGBTQIAP+ sejam interpretados por profissionais da própria comunidade, porque o repertório cultural de quem traduz faz diferença na autenticidade da tradução.
Festas e cultura para a comunidade surda
Fora dos museus e festivais, Leo é um dos criadores de experiências culturais feitas para o público surdo de São Paulo: idealizou a festa Vibração e o bloco de carnaval Vibramão, produziu a Sencity Brasil (festa multissensorial em que a música se sente pelo corpo) e é produtor executivo do Festival de Folclore Surdo, que celebra a cultura e as artes da comunidade surda brasileira.
O que conecta essas experiências é uma mesma ideia: o acesso à cultura não é um favor, mas um direito. E esse direito ganha ainda mais força quando a produção cultural também conta com a participação de artistas surdos. Do setor educativo do MAM aos grandes palcos do Rock in Rio, Leo Castilho demonstra que a Libras pode e deve ocupar todos os espaços culturais do país, inclusive os maiores e mais prestigiados.
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