Lauren Ridloff - a primeira super-heroína surda da Marvel
Lauren Ridloff é uma atriz americana, surda de nascença, que fez história em 2021 ao viver Makkari no filme "Eternos" (Eternals): a primeira super-heroína surda do Universo Cinematográfico Marvel. Antes disso, ela já havia conquistado a Broadway, com uma indicação ao Tony de melhor atriz, e a televisão, como a Connie de "The Walking Dead". Tudo isso vindo de uma carreira que começou em outro lugar: a sala de aula.
Nascida em Chicago, filha de pais ouvintes, Lauren cresceu sonhando em ser autora de livros infantis. Formou-se na California State University em Northridge, fez mestrado em Educação no Hunter College, em Nova York, e deu aulas em uma escola pública de Manhattan por quase uma década antes da fama.
Da sala de aula à Broadway
A virada aconteceu de forma inesperada. Lauren foi contratada como tutora de língua de sinais americana (ASL) do diretor de teatro Kenny Leon, que preparava a remontagem da peça "Filhos do Silêncio" (Children of a Lesser God) na Broadway. Da tutoria, ela saiu com o papel principal: sua atuação em 2018 foi aclamada pela crítica e lhe rendeu a indicação ao Tony Award de melhor atriz em peça, o prêmio máximo do teatro americano.
Na sequência veio a televisão: Lauren entrou para o elenco de "The Walking Dead" como Connie, uma sobrevivente surda que se comunica em sinais, personagem que apresentou a ASL a milhões de espectadores da série.
Makkari: a heroína que "ouve" pela vibração
Em 2019, a Marvel a escalou para "Eternos" (2021), dirigido por Chloé Zhao, vencedora do Oscar. Nos quadrinhos, Makkari era um homem branco e ouvinte; no filme, dentro da proposta da diretora de ampliar a representatividade do elenco, a personagem foi reimaginada como uma mulher surda: a velocista dos Eternos, vivida por uma atriz surda de verdade, sinalizando em cena.
Lauren resumiu o significado do papel em uma frase: "Precisamos de um super-herói que nos represente". E completou com o desejo de que, ao se verem na tela grande, as pessoas surdas possam "sonhar maior". O impacto foi imediato: fãs surdos do mundo inteiro celebraram a personagem, e a atriz virou símbolo de uma nova era de representatividade nos blockbusters.
Representatividade com raízes na educação
Há algo de simbólico no caminho de Lauren Ridloff: a professora que ensinava crianças em Manhattan virou a heroína que ensina Hollywood. Sua trajetória junta as duas pontas da luta da comunidade surda: a educação (a base que forma pessoas surdas confiantes) e a representatividade (a imagem que mostra ao mundo do que elas são capazes).
Da Broadway à Marvel, Lauren carrega a mesma mensagem das colegas de geração, como Millicent Simmonds e os vencedores do Oscar de "CODA": papéis surdos pertencem a atores surdos, e quando isso acontece, o resultado muda a cultura, dentro e fora das telas.
