Granville Redmond

Granville Redmond - o pintor surdo que ensinou expressividade a Charlie Chaplin

Retrato de Granville RedmondGranville Redmond

Granville Redmond viveu duas carreiras que dariam cada uma um filme: foi um dos maiores pintores impressionistas da Califórnia, célebre por suas paisagens com campos de papoulas douradas, e foi ator do cinema mudo ao lado de Charlie Chaplin, de quem se tornou amigo próximo. Chaplin admirava tanto a expressividade natural de Redmond na língua de sinais que buscou nela inspiração para a mímica de seus filmes, e montou para o pintor um estúdio dentro dos próprios Chaplin Studios.

Redmond nasceu em 9 de março de 1871, na Filadélfia. Aos 2 anos, uma escarlatina o deixou total e permanentemente surdo. A família mudou-se para a Califórnia, e aos 8 anos ele entrou na California School for the Deaf, em Berkeley, onde estudou de 1879 a 1890. Foi lá que o professor de arte Theophilus d'Estrella, ele próprio surdo, o iniciou na pintura, no desenho e na pantomima, e o incentivou a seguir carreira artística.

De Berkeley a Paris: a formação de um mestre

Depois de estudar na California School of Design, Redmond recebeu da própria escola de surdos os fundos para estudar em Paris, em 1893, na Académie Julian, com os mestres Benjamin Constant e Jean-Paul Laurens. O talento apareceu rápido: em 1895, uma tela sua foi aceita no Salão de Paris, a vitrine mais prestigiada da pintura mundial na época.

De volta à Califórnia em 1898, Redmond construiu sua fama: paisagens de atmosfera serena, marcadas por "solidão e silêncio", e as explosões de cor dos campos de papoulas douradas e tremoços azuis que viraram sua assinatura. No início do século 20, era reconhecido como um dos principais nomes do impressionismo californiano, com obras hoje em museus como o Los Angeles County Museum of Art e o museu da Universidade Stanford.

Chaplin, a língua de sinais e o cinema mudo

Em 1916, com o mercado de arte em crise, Redmond se aproximou do cinema, e ali nasceu uma das amizades mais curiosas de Hollywood. Charlie Chaplin, o gênio do cinema mudo, ficou fascinado pela expressividade corporal e facial de um surdo se comunicando em língua de sinais, exatamente a habilidade de que seu cinema sem palavras precisava. Os dois se tornaram amigos: Chaplin colecionava quadros de Redmond, instalou um ateliê para ele no lote de seus estúdios e o escalou para seus filmes.

Redmond apareceu em oito produções do cinema mudo, entre elas três clássicos de Chaplin: "Vida de Cachorro" (A Dog's Life, 1918), "O Garoto" (The Kid, 1921) e "Luzes da Cidade" (City Lights, 1931), neste último como o escultor. A troca entre o pintor surdo e o maior mímico do cinema ficou registrada pelos biógrafos como via de mão dupla: Redmond aprendeu o ofício das telas, e Chaplin, a eloquência do corpo que a comunidade surda domina desde sempre.

O legado de Granville Redmond

Redmond morreu em 24 de maio de 1935. Sua história desmonta com elegância a ideia de que a surdez limita a arte: foi justamente a cultura visual do mundo surdo, treinada na escola de surdos com um professor surdo, que fez dele um grande pintor e o levou, pela porta da frente, ao cinema de Chaplin.

Referências:

  1. MEDICINE MAN GALLERY. Granville Seymour Redmond (1871-1935) Biography. Disponível em: <https://www.medicinemangallery.com/blogs/biographies/granville-seymour-redmond-1871-1935-biography>. Acesso em: 14 Jul. 2026
  2. JOURNAL OF ART IN SOCIETY. The extraordinary career of Granville Redmond - deaf artist and silent movie actor. Disponível em: <https://www.artinsociety.com/the-extraordinary-career-of-granville-redmond-deaf-artist-and-silent-movie-actor-850216.html>. Acesso em: 14 Jul. 2026
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