Alice Cogswell

Alice Cogswell - a menina surda que inspirou a primeira escola para surdos das Américas

Retrato de Alice CogswellAlice Cogswell

Alice Cogswell é um dos nomes mais queridos da história da educação de surdos. Foi por causa dela, uma menina surda de nove anos que brincava sozinha no quintal ao lado, que Thomas Hopkins Gallaudet decidiu dedicar a vida à educação de surdos, jornada que resultou na fundação da primeira escola permanente para surdos dos Estados Unidos, em 1817. Até hoje, a estátua de Alice ao lado de Gallaudet recebe os visitantes da universidade que leva o sobrenome dele, em Washington.

Alice nasceu em 31 de agosto de 1805, em Hartford, Connecticut, filha do médico Mason Fitch Cogswell. Aos 2 anos de idade, contraiu a chamada "febre maculosa" (meningite cerebroespinhal), que a deixou surda; com o tempo, ela perdeu também a fala, como era comum em crianças que ensurdeciam antes de consolidar a linguagem oral.

Um chapéu desenhado na terra

A cena que mudou tudo aconteceu em 1814, quando Thomas Gallaudet, então um jovem recém-formado, visitava a família em Hartford. Da janela, notou que os irmãos menores brincavam no quintal sem incluir uma menina, que ficava à parte. Ao se aproximar, descobriu que Alice era surda. Sem saber nenhuma língua de sinais, Gallaudet apontou para o próprio chapéu e escreveu H-A-T ("chapéu", em inglês) na terra. Alice entendeu na hora, e aquela faísca de comunicação convenceu Gallaudet de que ela podia, e devia, ser educada.

O pai de Alice, o doutor Mason Cogswell, transformou a descoberta em causa. Como não existia nenhuma escola para surdos nos Estados Unidos, financiou a viagem de Gallaudet à Europa para aprender os métodos de ensino existentes. Na Inglaterra, Gallaudet encontrou portas fechadas: a família Braidwood, que dominava as escolas orais inglesas, não quis compartilhar seus métodos. Foi em Paris, no instituto fundado pelo abade de l'Épée, que ele encontrou o caminho, e de lá trouxe para a América o professor surdo Laurent Clerc.

A primeira aluna da primeira escola

Em abril de 1817, Gallaudet e Clerc abriram em Hartford a escola que se tornaria a American School for the Deaf, a primeira escola permanente para surdos das Américas. Alice Cogswell, então com 11 anos, foi uma das sete primeiras crianças matriculadas, ao lado de George Loring, Wilson Whiton, Abigail Dillingham, Otis Waters, John Brewster e Nancy Orr. Dali saiu a semente da língua de sinais americana (ASL) e de todo o sistema de educação de surdos dos Estados Unidos.

Alice morreu jovem, em 30 de dezembro de 1830, aos 25 anos, poucas semanas depois da morte do pai. Sua vida breve, porém, já tinha mudado a história.

O legado de Alice Cogswell

A memória de Alice Cogswell está gravada em dois monumentos: a estátua de 1889 de Daniel Chester French, em frente à Gallaudet University, que mostra Gallaudet ensinando a Alice a letra "A" no alfabeto manual, e o memorial dos fundadores da American School for the Deaf, em Hartford.

A história de Alice lembra uma verdade que a comunidade surda repete há dois séculos: tudo começa quando alguém acredita que a criança surda pode aprender. Um chapéu desenhado na terra foi suficiente para provar isso, e para fundar um sistema educacional inteiro.

Referências:

  1. NEW ENGLAND HISTORICAL SOCIETY. Alice Cogswell Changed the World for Deaf People. Disponível em: <https://newenglandhistoricalsociety.com/alice-cogswell-changed-world-deaf-people/>. Acesso em: 14 Jul. 2026
  2. GALLAUDET UNIVERSITY MUSEUM. Thomas Hopkins Gallaudet meets Alice Cogswell. Disponível em: <https://gallaudet.edu/museum/history/thomas-hopkins-gallaudet-meets-alice-cogswell/>. Acesso em: 14 Jul. 2026
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