Juliette Gordon Low

Juliette Gordon Low - a fundadora das Girl Scouts que usava a surdez a seu favor

Retrato de Juliette Gordon LowJuliette Gordon Low. Low in 1923. Unknown author

Juliette Gordon Low fundou em 1912 as Girl Scouts, o movimento de escotismo feminino dos Estados Unidos que já formou milhões de meninas líderes. Com surdez total de um ouvido e quase total do outro, ela ficou famosa por transformar a perda auditiva em ferramenta: quando alguém respondia "não" a um pedido de ajuda para as meninas, Daisy, como era chamada, simplesmente fingia não ter ouvido e seguia em frente até conseguir o "sim".

Juliette Magill Kinzie Gordon nasceu em 31 de outubro de 1860, em Savannah, no estado americano da Geórgia. Conhecida pelo humor e pela compaixão, teve a audição comprometida ainda jovem: uma infecção de ouvido tratada de forma inadequada danificou um dos ouvidos e, segundo os relatos biográficos mais difundidos, um grão de arroz jogado em seu casamento, em 1886, alojou-se no outro ouvido, causando a infecção e a perfuração de tímpano que a deixaram praticamente surda daquele lado. O resultado, na vida adulta: surdez completa de um ouvido e quase completa do outro.

O encontro que mudou a vida das meninas americanas

A virada aconteceu em 1911, em Londres, quando Juliette conheceu Sir Robert Baden-Powell, o fundador do escotismo. Inspirada, voltou aos Estados Unidos decidida a criar algo equivalente para as meninas. A frase que disse à prima ao chegar virou lenda: "Tenho algo para as meninas de Savannah, de toda a América e de todo o mundo, e vamos começar esta noite!".

Em 12 de março de 1912, ela reuniu as primeiras 18 meninas em Savannah e registrou a primeira tropa das American Girl Guides, renomeada Girl Scouts em 1913. Num tempo em que se esperava das meninas apenas boas maneiras, o movimento de Daisy as levava a acampar, praticar esportes, aprender ofícios e liderar, cruzando barreiras de classe, cultura e etnia para garantir que todas tivessem seu lugar.

Uma líder surda que não aceitava "não"

A surdez de Juliette nunca foi escondida, e as biografias registram com humor a tática que ela mesma cultivava: usar a deficiência auditiva como pretexto para "não ouvir" recusas. Pedia doações, voluntárias e apoio para as Girl Scouts e, diante de um "não estou interessado", seguia a conversa como se tivesse ouvido um "sim". A teimosia funcionou: em poucos anos, o movimento se espalhou pelo país.

Coerente com a própria história, Daisy fez das Girl Scouts um espaço aberto também para meninas com deficiência desde o início, décadas antes de inclusão virar pauta pública.

Legado e reconhecimento

Juliette Gordon Low morreu em 17 de janeiro de 1927, em Savannah, vítima de um câncer de mama. Sua casa natal virou marco histórico nacional em 1965; ela ganhou selo postal americano em 1948, foi induzida ao National Women's Hall of Fame em 1979 e, em 2012, recebeu postumamente do presidente Barack Obama a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria civil dos Estados Unidos, no centenário das Girl Scouts.

A história de Juliette Gordon Low é um lembrete bem-humorado de que a deficiência não define os limites de ninguém: às vezes, como ela provou, pode até virar estratégia.

Referências:

  1. GIRL SCOUTS OF THE USA (SITE OFICIAL). Juliette Gordon Low. Disponível em: <https://www.girlscouts.org/en/discover/about-us/history/juliette-gordon-low.html>. Acesso em: 14 Jul. 2026
  2. NATIONAL WOMEN'S HALL OF FAME. Low, Juliette Gordon. Disponível em: <https://www.womenofthehall.org/inductee/juliette-gordon-low/>. Acesso em: 14 Jul. 2026
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