Jane Lynch - a estrela de Glee que só descobriu a própria surdez aos 8 anos
Jane Lynch. Por Peterb1234 - Obra do proprio, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=65147174Jane Lynch é uma das atrizes de comédia mais premiadas da televisão americana, eterna treinadora Sue Sylvester da série "Glee". Surda do ouvido direito desde bebê, ela carrega uma das histórias mais curiosas do mundo da perda auditiva: só descobriu que era surda aos 8 anos de idade, brincando com o rádio de pilha do irmão. Até então, achava que todo mundo ouvia por um ouvido só.
Jane Marie Lynch nasceu em 14 de julho de 1960 e cresceu em Dolton, subúrbio de Chicago, no estado de Illinois, filha do meio de uma família que adorava música. Construiu uma longa carreira no teatro e no cinema de improviso antes de estourar na televisão. Como Sue Sylvester, a vilã de agasalho esportivo de "Glee", venceu o Emmy de melhor atriz coadjuvante de comédia em 2010 e apresentou a própria cerimônia do Emmy no ano seguinte.
A descoberta pelo rádio do irmão
A cena, contada por ela na autobiografia "Happy Accidents" (2011), virou clássica. O irmão ouvia seu rádio transistor e ficava trocando o fone de um ouvido para o outro. Jane achou que fosse brincadeira: "Você não pode fazer isso, só dá para ouvir por um ouvido". O irmão respondeu que ouvia pelos dois, e foi assim, num susto doméstico, que ela descobriu ser surda do ouvido direito.
Levada ao médico, veio o diagnóstico: surdez neurossensorial, provavelmente causada por uma febre muito alta quando ela era bebê. Como a perda aconteceu antes de qualquer memória, o mundo com um ouvido só sempre foi, para ela, o mundo normal.
Uma carreira que a surdez não limitou
A perda auditiva unilateral nunca a afastou dos palcos, nem mesmo dos musicais. Jane canta, atua e apresenta programas de auditório, como o game show "Hollywood Game Night" e o "Weakest Link". Questionada sobre a surdez, ela resume com o humor prático que a caracteriza: tem um ouvido realmente bom, e isso é tudo de que precisa.
Além de "Glee", ela construiu uma galeria de papéis marcantes em filmes de comédia e séries, e segue como uma das vozes mais requisitadas da dublagem americana. A surdez, quando aparece nas entrevistas, é tratada como característica, nunca como obstáculo.
O que o caso de Jane Lynch mostra
A surdez de Jane Lynch é unilateral, e a história dela ilustra bem por que esse tipo de perda passa despercebido: quem nasce assim, ou perde a audição de um lado ainda bebê, não tem ponto de comparação e pode levar anos para perceber.
É também um lembrete para pais e professores: a triagem auditiva na infância existe justamente para flagrar o que a criança não tem como perceber sozinha. Hoje, o teste da orelhinha, feito ainda na maternidade, detecta nos primeiros dias de vida o que Jane Lynch só foi descobrir aos 8 anos por acaso.