Halle Berry

Halle Berry - atriz vencedora do Oscar

Retrato de Halle BerryHalle Berry

Halle Berry é uma atriz americana que fez história no cinema: em 2002, tornou-se a primeira mulher negra a vencer o Oscar de melhor atriz, pelo filme "A Última Ceia" (Monster's Ball, 2001). O que muita gente não sabe é que, por trás da carreira brilhante, Halle Berry convive com uma perda auditiva severa: ela perdeu cerca de 80% da audição do ouvido esquerdo, consequência de uma agressão sofrida em um relacionamento abusivo no início dos anos 1990.

Nascida em 14 de agosto de 1966, em Cleveland, no estado americano de Ohio, Halle começou cedo a chamar atenção: ainda adolescente, foi finalista de concursos nacionais de beleza e trabalhou como modelo antes de estrear na televisão, em 1989. Os primeiros papéis de destaque no cinema vieram com "Febre da Selva" (Jungle Fever, 1991), de Spike Lee, e "Boomerang" (1992), ao lado de Eddie Murphy.

A perda auditiva

A perda auditiva de Halle Berry não tem origem em doença nem em causa genética: ela é resultado de violência doméstica. No início dos anos 1990, a atriz foi agredida por um namorado da época com tanta força que o golpe perfurou o tímpano do seu ouvido esquerdo. Como consequência, ela perdeu aproximadamente 80% da audição daquele lado.

Halle nunca revelou publicamente o nome do agressor, dizendo apenas que se tratava de alguém conhecido em Hollywood. O episódio, porém, se tornou um divisor de águas na vida dela. Em um evento beneficente em Nova York, em 2011, a atriz contou como aquele momento a fez reagir: "Foi só quando eu estava em um relacionamento abusivo, com sangue espirrado no teto do meu apartamento, e perdi 80% da audição do meu ouvido, que eu percebi: eu preciso quebrar o ciclo".

Halle Berry não é surda profunda e segue trabalhando normalmente como atriz, mas convive com uma audição bastante reduzida de um dos lados. É um lembrete importante de que a perda auditiva tem muitas causas e muitos graus, e que o trauma físico é uma delas.

Uma infância marcada pela violência doméstica

A relação de Halle Berry com o tema da violência é anterior à agressão que a deixou com perda auditiva. Ela cresceu vendo a mãe ser espancada pelo pai, e conta que essa experiência moldou sua autoestima na vida adulta. "Honestamente, acho que passei minha vida adulta lidando com a sensação de baixa autoestima que aquilo plantou em mim", disse a atriz em entrevista à CNN em 2010. "De alguma forma, eu me sentia sem valor."

No mesmo depoimento, ela resumiu o peso dessa herança: antes de ser a estrela Halle Berry, ela é "a pequena Halle, uma menininha que cresceu em um ambiente que a danificou de algumas maneiras". Segundo a atriz, foi esse padrão aprendido na infância que a levou, mais tarde, a escolher parceiros que repetiam o comportamento do pai, até o episódio da agressão e da perda auditiva forçá-la a romper o ciclo.

Carreira: o Oscar histórico e os grandes papéis

A perda de 80% da audição de um ouvido não interrompeu a trajetória de Halle Berry. Nos anos seguintes, ela emendou trabalhos de peso: interpretou a atriz Dorothy Dandridge no filme para TV "Introducing Dorothy Dandridge" (1999), atuação que lhe rendeu o Emmy e o Globo de Ouro, e entrou para o elenco da franquia "X-Men" (a partir de 2000) como a mutante Tempestade.

O ápice veio na cerimônia do Oscar de 2002, quando venceu o prêmio de melhor atriz por "A Última Ceia" (Monster's Ball). Foi a primeira vez, em mais de sete décadas de premiação, que uma mulher negra recebeu a estatueta principal de atuação. Depois disso, Halle viveu a bond girl Jinx em "007 - Um Novo Dia Para Morrer" (2002), foi a protagonista de "Mulher-Gato" (2004), atuou em "John Wick 3: Parabellum" (2019) e estreou como diretora no filme "Bruised" (2020), no qual também interpreta a personagem principal.

Ativismo: a voz de quem sobreviveu

Halle Berry transformou a própria história em ativismo. Há muitos anos ela é voluntária do Jenesse Center, uma organização de Los Angeles que acolhe vítimas de violência doméstica. A atriz costuma aparecer no abrigo sem avisar, brinca com as crianças e ajuda a reformar apartamentos para que mulheres que fugiram de parceiros violentos possam recomeçar a vida em um lugar seguro e acolhedor.

Ela também usa sua visibilidade para falar diretamente às mulheres que ainda vivem em relacionamentos abusivos. O recado, dado em entrevista à CNN, é direto: "Saia. Não fique nem mais um momento. Se não houver abrigo, vá para a casa de uma amiga, vá a uma delegacia. Vá para algum lugar. Mas vá".

A história de Halle Berry mostra que a perda auditiva pode atingir qualquer pessoa, em qualquer momento da vida, e que ela não define o limite de ninguém: com 80% a menos de audição em um ouvido, ela se tornou uma das atrizes mais premiadas da sua geração e uma voz ativa na luta contra a violência que causou a sua lesão.

Referências:

  1. THE URBAN DAILY. Halle Berry Speaks On Losing 80 Percent Of Her Hearing. Disponível em: <https://theurbandaily.com/1373675/halle-berry-mayors-fund-benefit-domestic-violence/>. Acesso em: 12 Jul. 2026
  2. ALINA CHO. Halle Berry's help for domestic violence victims gets personal. Disponível em: <https://edition.cnn.com/2010/SHOWBIZ/12/14/halle.berry.charity/>. Acesso em: 12 Jul. 2026.
  3. ARYA JYOTHI. 5 celebrities you didn't know are deaf or hard of hearing: from Millie Bobby Brown to Halle Berry. Disponível em: <https://www.hellomagazine.com/celebrities/20210506112536/5-celebrities-deaf-hearing-problems-millie-bobby-brown-halle-berry/>. Acesso em: 12 Jul. 2026.
  4. KRIS MARTINS. Famous People Who Are Hard of Hearing. Disponível em: <https://www.webmd.com/healthy-aging/ss/slideshow-celebrities-hearing-loss>. Acesso em: 12 Jul. 2026.
  5. THE EDITORS OF ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA. Halle Berry | Biography, Movies, Catwoman, & Facts. Disponível em: <https://www.britannica.com/biography/Halle-Berry>. Acesso em: 12 Jul. 2026.
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