Eric Clapton - a lenda da guitarra que anunciou ao mundo que estava ficando surda
Eric Clapton é considerado um dos guitarristas mais influentes da história do rock e do blues. Dono de 18 prêmios Grammy e único artista induzido três vezes ao Hall da Fama do Rock, ele surpreendeu o mundo em 2018 ao revelar, com a franqueza de sempre, que estava ficando surdo: o zumbido crônico (tinnitus), consequência de décadas de rock amplificado, tinha se somado aos outros desgastes de uma carreira de mais de meio século.
Eric Patrick Clapton nasceu em 30 de março de 1945, em Ripley, no condado de Surrey, na Inglaterra. Ganhou o primeiro violão aos 13 anos e, ainda no início dos anos 1960, tornou-se o guitarrista mais comentado do circuito de blues dos pubs ingleses. Passou pelos Yardbirds (1963-1965), pelo Cream (1966-1968), uma das bandas mais influentes da era moderna, por Blind Faith e Derek and the Dominos, até deslanchar a carreira solo em 1970, com clássicos como "Layla", "Wonderful Tonight" e "Tears in Heaven".
Três vezes no Hall da Fama
O tamanho da carreira de Clapton se resume em um feito único: ele é o único músico induzido três vezes ao Hall da Fama do Rock, com os Yardbirds (1992), com o Cream (1993) e como artista solo (2000). Seu estilo melódico e emotivo, inspirado em mestres do blues como Robert Johnson, B.B. King e Muddy Waters, influenciou gerações inteiras de guitarristas.
Mas o mesmo palco que o consagrou cobrou seu preço. Como aconteceu com tantos músicos de sua geração, os anos de exposição a amplificadores em volume altíssimo, noite após noite, foram minando sua audição de forma silenciosa e progressiva.
"Estou ficando surdo"
A revelação veio em janeiro de 2018, em entrevista à rádio BBC Radio 2, quando Clapton tinha 72 anos. Ao falar sobre o documentário "Eric Clapton: Life in 12 Bars", ele listou os desafios da idade sem rodeios: "Estou ficando surdo, tenho tinnitus, minhas mãos mal funcionam". O zumbido constante nos ouvidos, explicou, é uma condição frequentemente causada pelo ruído alto típico do rock amplificado.
A declaração correu o mundo, mas veio acompanhada de um recado de resistência: "Ainda vou continuar trabalhando". E ele cumpriu: meses depois, subiu ao palco do Hyde Park, em Londres, ao lado de Santana, Steve Winwood e Gary Clark Jr. Sua preocupação, disse na entrevista, era continuar sendo um músico proficiente, e não virar apenas uma curiosidade nos palcos.
O que o caso de Clapton ensina
O caso de Eric Clapton expõe um problema que atravessa toda uma geração de músicos: o zumbido e a perda auditiva induzidos por ruído não aparecem de uma hora para outra, mas se acumulam ao longo de décadas de exposição, e não têm cura.
A lição vale para além dos palcos. Fones de ouvido em volume máximo, ambientes de trabalho barulhentos e shows sem proteção auditiva produzem, em escala menor, o mesmo dano que atingiu Clapton. A diferença é que hoje a prevenção é acessível a todos: protetores auriculares, pausas de silêncio e volume moderado preservam aquilo que, uma vez perdido, não volta mais.
