AUDISMO E PRECONCEITO LINGUÍSTICO: SILENCIAMENTO E DESLEGITIMAÇÃO DAS VARIEDADES DA LIBRAS NAS COMUNIDADES SURDAS BRASILEIRAS
Resumo
Este artigo analisa a articulação entre audismo e preconceito linguístico nos processos de silenciamento e deslegitimação das variedades da Língua Brasileira de Sinais (Libras) nas comunidades surdas brasileiras. Objetiva compreender como ideologias ouvintistas, práticas normativas e concepções de homogeneidade linguística hierarquizam formas de sinalização e seus usuários. Adota abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica e crítico-interpretativa, fundamentada em vinte estudos sobre surdez, educação bilíngue, ideologias linguísticas, variação e mudança na Libras. Os resultados evidenciam que a imposição da oralidade, a subordinação da Libras ao português, a padronização rígida e o policiamento de sinais regionais, geracionais e de contato produzem apagamento, constrangimento e exclusão. Conclui-se que a variação constitui propriedade legítima da Libras e confirma sua vitalidade histórica. O enfrentamento do audismo exige educação sociolinguística, materiais plurais, avaliações abertas às variantes, participação comunitária e políticas linguísticas democráticas, capazes de conciliar inteligibilidade, reconhecimento da diversidade e protagonismo surdo em diferentes contextos sociais brasileiros.
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