Justiça Cega ou Surda? Embate de sentidos no discurso jornalístico
Resumo
Nosso objetivo, neste trabalho, é investigar o funcionamento discursivo da contradição na reportagem intitulada “Desembargador é suspeito de manter mulher surda, que nunca aprendeu Libras, em trabalho análogo à escravidão por 37 anos”, exibida pelo Fantástico, em 11 de junho de 2023 e que também circulou no G1, portal de notícias online do grupo Globo, um dos maiores conglomerados de mídia da América Latina. A Análise de Discurso, fundada por Michel Pêcheux na França e reterritorializada, no Brasil, por Eni Orlandi e por demais pesquisadores que elegem o discurso como objeto de estudo fornece o dispositivo teórico-analítico para respaldar as análises, e para observar como se dá o embate entre diferentes formações discursivas, uma vez que o sujeito que deveria fazer cumprir as leis, conforme o discurso jornalístico, as infringe, ao privar um sujeito surdo (sob seu domínio) de aprender a Língua Brasileira de Sinais – Libras, meio legal de comunicação e expressão da comunidade surda do Brasil, que garante aos sujeitos surdos o direito de se significar e de significar o mundo, constituindo-se em sujeito.
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