EPISTEMOLOGIAS SURDAS E PRODUÇÃO FEMININA DE CONHECIMENTOS: AUTORIA, EXPERIÊNCIA VISUAL E RESISTÊNCIA DE MULHERES SURDAS
Resumo
O artigo discute as epistemologias surdas a partir da produção feminina de conhecimentos, enfatizando autoria, experiência visual e resistência de mulheres surdas em espaços acadêmicos, educacionais, literários e políticos. Com abordagem bibliográfica e qualitativa, analisa estudos brasileiros sobre autoria feminina surda, pesquisadoras surdas, escrevivências, literatura em Libras, interseccionalidade, protagonismo docente, epistemicídio e violência linguística. Argumenta-se que mulheres surdas produzem saberes ancorados em experiências visuais, corporais, linguísticas e territoriais que desafiam modelos ouvintistas, medicalizantes e patriarcais de legitimação do conhecimento. As produções examinadas evidenciam que Libras, poesia sinalizada, narrativas autobiográficas, docência, militância e pesquisa científica constituem práticas epistêmicas e políticas de autorrepresentação. Conclui-se que reconhecer mulheres surdas como sujeitos epistêmicos exige ampliar sua visibilidade, enfrentar desigualdades interseccionais e legitimar formas plurais de produzir, registrar e circular conhecimentos, especialmente aquelas construídas desde a diferença surda, a memória coletiva e a resistência social em diferentes contextos brasileiros contemporâneos e em suas comunidades linguísticas.
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