METODOLOGIAS VISUAIS E AUTORIA SURDA NA PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO: PRÁTICAS DE PESQUISA DESENVOLVIDAS POR PESQUISADORES SURDOS
Resumo
Este artigo discute metodologias visuais e autoria surda na produção do conhecimento científico, com ênfase em práticas de pesquisa que reconhecem a Libras, a visualidade e a experiência surda como dimensões epistemológicas. A partir de revisão bibliográfica qualitativa de estudos sobre epistemologias surdas, produção acadêmica em Libras, vídeo-registros, acessibilidade científica, formação de pesquisadores e documentação linguística, analisa-se como recursos multimodais podem ampliar a participação de sujeitos surdos na universidade brasileira contemporânea atual. O debate evidencia que vídeos, registros sinalizados, escrita de sinais, glossários, corpora, ambientes digitais e estratégias de validação comunitária não funcionam apenas como recursos de acessibilidade, mas podem integrar o próprio desenho metodológico das investigações. Os estudos também apontam barreiras decorrentes da centralidade da língua portuguesa escrita e da permanência de práticas oralizadas. Conclui-se que reconhecer pesquisadores surdos como agentes epistêmicos fortalece autoria, autonomia acadêmica, circulação científica e construção de metodologias coerentes com a natureza visual-espacial da Libras.
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