MAIS AMOR, POR FAVOR: UM CASO DE MOBILIZAÇÃO ECONOMICAMENTE MOTIVADA DA LIBRAS COMO CONDOIMENTO CAPACITISTA E CAPITAL SOLIDÁRIO
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Resumo
RESUMO Examinamos aqui instâncias de mercantilização de linguagem em que fragmentos de uma “língua pequena” - a língua brasileira de sinais (libras) - figuram como valor agregado a produtos de nicho que de outro modo seriam triviais. Seguindo estudos de Sociolinguística Crítica que têm apontado o surgimento de discursos que invocam linguagem como lucro (em vez de orgulho), apresentamos dados - selecionados de perambulações por ambientes virtuais - de uma loja virtual que oferece produtos decorativos com dizeres em português transliterados para sinais de soletração em libras (datilologia). Em contraste, não encontramos quaisquer recursos de acessibilidade em libras no portal que promove a venda desses produtos. Nossa análise indica que a crescente visibilidade da libras entre as parcelas ouvintes da população propiciou a materialização de ideologias de linguagem em que a libras figura como signo de “inclusão”, “empatia”, “respeito à diversidade”. Apesar de calcadas em percepções combatidas pelos movimentos sociais surdos, essas ideologias parecem possibilitar a geração de capital solidário, um subtipo de capital simbólico. Nosso argumento, portanto, é que produtos mercantis como os analisados servem à celebração fetichizada da diversidade (inclusive linguística). Assim, a mobilização da libras como signo de “causa social” com a qual é possível engajar-se por meio do consumo acomoda o olhar ouvinte ao buscar cativá-lo. O “condoimento capacitista” do/a consumidor/a, portanto, é alicerce da tentativa de mercantilização.
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