Experiências educativas de pessoas negras surdas sob uma perspectiva afrocentrada: um caminho de possibilidades
Resumo
O presente artigo tem como objetivo compreender a centralidade/marginalidade das experiências educativas narradas por estudantes do curso de Letras-Libras e como isso se relaciona com o processo de construção de identidade negra surda. Para tanto, tivemos como principal fundamentação a teoria da Afrocentricidade, sistematizada enquanto paradigma pelo pesquisador Molefi Kete Asante (1980, 2009), que nos proporcionou a esquematização analítica necessária para o embasamento do texto. Como caminho metodológico, utilizamos uma abordagem qualitativa que se relaciona com a metodologia de história oral sinalizada, compreendendo-a como principal produtora das narrativas de vida coletadas e analisadas. Foi possível identificar como resultado que as experiências que contextualizam as questões raciais ocupam, em grande parte, o local de marginalidade no processo educativo dos estudantes, o que acaba por não proporcionar uma continuidade. Por outro lado, as experiências que são narradas a partir do ser surdo conseguem aparecer com mais frequência e serem desenvolvidas pelos entrevistados. Notamos, com isso, que a construção da identidade negra surda se dá de maneira ainda desigual, em que a surdez ganha destaque e possibilita um desenvolvimento mais aprofundado e consciente.
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