Cultura surda em museus: o lugar de fala na mediação de surdos
Resumo
O objetivo deste artigo é expor a importância do protagonismo surdo em museus. No Brasil, o número de pessoas surdas que atuam como educadoras e mediadoras é muito pequeno. A hipótese levantada por esse artigo é que a mediação entre educador surdo e público surdo é fundamental. Quando o surdo é atendido por um ouvinte, mesmo que este saiba se comunicar em Libras (Língua Brasileira de Sinais), a mediação fica incompleta pois muitos códigos da comunicação se perdem na interação e o intérprete de Libras ouvinte não domina totalmente o vocabulário necessário para repassar as informações, o pensamento, as abstrações, o sentimento entre outras especificidades que só o membro da cultura surda conhece. Para desenvolver essa hipótese o artigo traz três estudos de caso: (1) a participação de surdos na nomeação das obras em Libras do escultor Aleijadinho na cidade de Congonhas, em Minas Gerais, (2) a elaboração do videoguia do Museu Pinacoteca na cidade de São Paulo e (3) o Museum of Deaf History, Arts and Culture and the William J. Marra Museum na cidade de Olathe, Kansas, EUA, que tem se dedicado exclusivamente à Cultura Surda desde 2001.
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