Audição dos Animais

Audição dos Animais - mostramos aspectos curiosos da audição de diversas espécies encontradas na natureza:

Audição dos gatos

Eles possuem trinta músculos em suas orelhas para localizar sons (o humano tem apenas seis músculos). Realizam esta captação de sons muito mais rápido que um cão. As orelhas dos gatos têm formato irregular e assimétrico que, combinados com os movimentos, produzem variações na qualidade de recepção dos sons, possibilitando a ele localizar sua fonte com precisão. Gatos têm habilidade de discriminar dois sons separados por um ângulo de cinco graus com 75% de precisão. Para freqüências altas, a audição do gato e também a do cão é muito capacitada do que a nossa. Os gatos ouvem frequências de 65 KHz, comparados aos nossos 20 KHz. O crânio dos gatos é notavelmente conhecidos pela sua estrutura muito bem desenvolvida que inclui um grande auditório “Bullae”, câmaras de eco. Isso contribui para sua sensibilidade auditiva para sons delicados como o andar de um rato ou de um passarinho sobre folhas. Mas, assim como nós, eles vão perdendo a audição conforme a idade avança.

Gatos brancos de olhos azuis e a surdez congênita

Gatos totalmente brancos têm uma chance muito maior de serem surdos do que gatos de outras cores, e essa chance aumenta significativamente se um ou os dois olhos forem azuis.

Para entender porque isso acontece, temos que entender primeiro o que faz um gato ser totalmente branco: o gene W/w. Não importa a cor que o gato seria, se ele tem um gene W (seja WW ou Ww), ele vai ser totalmente branco. Esse gene, que é diferente do albinismo, é mais forte que os genes de cor e se sobrepõe a eles, deixando o gato totalmente branco (leia mais sobre isso clicando aqui).

E é justamente nesse gene W que está o problema da surdez. Ele afeta as celulas do sistema nervoso central do embrião-gatinho, responsável pela produção de melanina (cor) e a audição. Quanto mais forte o gene, menos melanina o gato produzirá, e mais claro será o seu olho – portanto maiores as chances do gene também afetar a audição e o gato nascer surdo.

Por isso, se o olho do gato for azul, quer dizer que o gene W se manifestou de maneira mais significativa. Isso quer dizer, inclusive, que gatos que tem um olho azul e outro de outra cor, têm uma chance muito grande de serem surdos apenas de uma orelha – justamente a do mesmo lado que o olho é azul!

A surdez não afeta a rotina do gato doméstico, mas afeta a sua capacidade de se defender na rua. Além disso, gatos brancos não podem tomar sol pois têm riscos imensos de desenvolver câncer de pele (qualquer exposição ao sol requer protetor solar nas pontas das orelhas e no narizinho). Por esses dois motivos, gatos brancos, principalmente surdos, devem ficar protegidos dentro de casa – com um ambiente super enriquecido, cheio de tocas, prateleiras e brinquedos!

Você nunca viu um tubarão com as orelhas?

Bem, os tubarões têm apenas um ouvido interno. Dois furos em cada lado da cabeça de um tubarão pode ser a única pista que você teria sobre a presença de orelhas no tubarão. Mas o ouvido interno e o sistema de detecção das vibrações através da linha lateral são baseados no mesmo mecanismo básico. O sistema de linha lateral se estende ao longo da maioria do corpo de um tubarão, que concede ao animal um sentido altamente direcional. Assim, mesmo em águas muito turvas, um tubarão pode saber exatamente onde os obstáculos e outras criaturas estão, mesmo se não puder vê-los.

O som viaja mais longe e mais rápido debaixo d'água, e os tubarões são facilmente capazes de detectar as suas presas a distâncias superiores a 800 pés (243 metros). Isso é mais do que dois campos de futebol. Uma vibração desconhecida, tanto pode provocar curiosidade como medo ao tubarão.

A cabeça, especialmente ao redor do focinho, apresenta pequenos poros, denominados ampolas de Lorenzini. Estes receptores são sensíveis à temperatura, salinidade e pressão da água, com uma especial capacidade para detectar campos elétricos muito sutis, gerados por outros animais. Podem, deste modo, detectar o batimento cardíaco de um peixe que esteja enterrado na areia, a alguns metros de distância. A capacidade de perceber as ligeiras mudanças na corrente elétrica do ambiente, além de facilitar a caça às suas presas, possibilita-lhes a navegação em mar aberto durante as grandes migrações, guiando-se através do campo eletromagnético da Terra. Mas é a sua lendária capacidade de detectar a presença de partículas de comida o que os torna notáveis. A maioria dos tubarões consegue discernir as mais ínfimas quantidades de substâncias presentes na água a mais de 500 metros de distância da sua origem.

Enxergar através dos sons?

Os grandes especialistas nesta arte – chamada de ecolocalização ou biossonar – são os golfinhos e os morcegos. Eles conseguem enxergar sem utilizar os olhos, emitindo sons de alta freqüência, em geral inaudíveis para o ser humano. “Essas ondas sonoras batem na presa – e nos obstáculos à frente – e retornam na forma de ecos, que, por sua vez, são decodificados como um mapa pelo cérebro do bicho”, diz a bióloga Eliana Morielle, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Nos morcegos, o grau de precisão é tão elevado que certas espécies conseguem detectar a presença de um fio de apenas 0,5 milímetro de espessura em pleno vôo rasante.

Existem algumas espécies de pássaros que vivem em cavernas, ou têm hábitos noturnos, que também desenvolveram uma ecolocalização rudimentar, que só serve para a locomoção. E até mesmo um ser humano, acredite, pode utilizar a audição para localizar objetos ou evitar um obstáculo. “Quem é cego de nascença desenvolve a audição a tal ponto que esse sentido acaba substituindo, em parte, a visão”, afirma o biólogo O’Dell Henson, da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

Existem cerca de 1.000 espécies de morcegos e quase todas têm a capacidade de se orientar no escuro por meio das ondas sonoras e seus reflexos. Esse mecanismo de ecolocalização – também chamado de biossonar – só foi descoberto pela ciência em 1938. Para que o sonar do morcego funcione perfeitamente, o cérebro do animal possui um córtex auditivo (ponto em vermelho) extremamente desenvolvido. O sistema nervoso do bicho é tão sensível que possui até neurônios especializados em detectar a velocidade da sua presa.