Ser surdo e indígena em um curso de nível superior: práticas discursivas de audismo e racismo em debate
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Resumo
O presente artigo tem como objetivo problematizar as possibilidades discursivas encontradas nos comentários recebidos por uma matéria compartilhada pelo Portal R7 na rede social Facebook a respeito da colação de grau de um acadêmico Surdo e Indígena na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), originalmente veiculada pelo site Só Notícia Boa. A partir da coleta e categorização dos comentários dois quadros distintos foram elaborados: no primeiro foram alocados os discursos de cunho racista, contendo práticas de discriminação contra o acadêmico por ser Indígena; no segundo foram contemplados os comentários com temas relacionados ao audismo, forma de opressão contra corpos Surdos. Os referenciais teóricos elegidos para a discussão do fato baseiam-se nas noções de norma, de Michel Foucault; artes de julgar, de François Ewald; audismo, de Tom Humphries; e desindianização, de Guillermo Bonfil-Batalla. Os resultados apontaram que esses comentários buscam legitimar algumas afirmações: i) desconsiderar as conquistas alcançadas por corpos Surdos; ii) descaracterizar a identidade Indígena; e iii) duvidar da materialidade da surdez e das condições que intersectam a Cultura Surda e Indígena.
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