Reflexões sobre o Estatuto das Línguas nos Contextos Bi-multilingues de Educação para Surdos no Brasil
Resumo
RESUMO: A educacao de surdos hoje no Brasil vive um periodo de transicao, de conflitos e contradicoes: por um lado o discurso da diferenca cada vez mais presente na fala de educadores e em parte da legislacao educacional em vigor; por outro lado a “diferenca” surda continua sendo representada nas praticas escolares em geral sob a otica da normalizacao que insiste em invisibilizar as especificidades linguisticas e culturais dessa minoria, apesar dos avancos alcancados pelo decreto 5626. Com esse cenario em mente objetivamos refletir sobre as pressoes normativas guiadas por ideologias monolingues (BLACKLEDGE, 2000) que tentam formatar um suposto uso ideal de portugues e de Libras. O capitulo esta dividido em tres partes: primeiro, apresentamos algumas consideracoes no âmbito da legislacao acerca do estatuto de Libras no Brasil. Em seguida, tematizamos o processo de (in)visibilizacao das linguas de sinais com vistas a mostrar que a (re)construcao do conceito de lingua como algo fixo, tambem, em relacao as linguas de sinais, pode ser usado para sedimentar desigualdades em relacao ao surdo na escola. Por fim, refletimos, a partir de alguns dados de pesquisa, sobre as tensoes existentes entre as linguas nos contextos bi-multilingues que caracterizam a escolarizacao de surdos e as ideologias linguisticas que geram efeitos de hierarquizacao sobre os usos de Libras e de Portugues.
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