PENSARES SURDOS: ESTUDOS NA ÁREA DE LETRAS
Resumo
O reconhecimento da língua de sinais como língua natural implica a sua compreensão como instrumento modulador de imagens e discursos relativos às identidades e aspectos da cultura surda: a opção pelo plural é centrada na condição heterogênea e histórica destas duas instâncias. Nesse sentido, reconhecemos os sujeitos surdos não como entidade homogênea e cristalizada - o surdo - mas como pessoas imersas em diferenças, em situações culturais híbridas e inseridas em um panorama pós-moderno. Aqui, ressaltamos os surdos falantes de Libras como primeira língua e que a reconhecem como uma força motriz fundamental para a tessitura de identidades e de traços culturais relevantes para a organização de suas vivências. Para Skliar (1988), os Estudos Surdos poderiam ser pensados como um programa de pesquisa no qual as culturas surdas e suas comunidades deveriam ser percebidas pela clave da “diferença, a partir de seu reconhecimento político”. Concordamos que é fundamental pensar politicamente a questão da surdez; também compreendemos que é necessário ampliar o programa de pesquisa para uma orientação que traga à baila os estudos em Letras, fundamentais tanto para a implementação de um diálogo interdisciplinar profícuo, quanto para a construção de um caminho teórico-crítico que ainda carece de produção e divulgação de investigações específicas. A partir de tal premissa, este número reuniu reflexões e discussões que consideram aspectos referentes ao campo dos Estudos Surdos, em torno da pesquisa em Letras - tanto nos estudos linguísticos como nos literários -, e que contemplam aspectos linguísticos da Libras e da Língua Portuguesa como L2; questões sobre as literaturas surdas; e reflexões sobre os letramentos de surdos, em suas práticas e eventos.
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