OUVINTISMO ESTRUTURAL: DISCURSOS, PODER E RESISTÊNCIAS NA EDUCAÇÃO E NA SAÚDE DAS PESSOAS SURDAS
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Resumo
Este artigo discute o ouvintismo estrutural como categoria analítica para compreender os mecanismos de poder que atravessam a vida das pessoas surdas. Parte-se da problematização de que a surdez, historicamente tratada como deficiência, foi enquadrada por discursos ouvintistas que negam a Libras como língua legítima e invisibilizam epistemologias surdas. O objetivo central é analisar como o ouvintismo, mais do que prática isolada, constitui uma estrutura social, educacional e epistêmica que organiza desigualdades e sustenta a primazia da audição como norma. A pesquisa, de natureza teórica e ensaística, adota o procedimento de revisão narrativa da literatura (Rother, 2007), dialogando com os Estudos Surdos , os estudos decoloniais e aportes da análise crítica do discurso foucaultiana. A análise evidenciou que o ouvintismo estrutural se manifesta em três dimensões principais: social (exclusão cotidiana em serviços e espaços públicos), educacional (currículos e práticas ouvinte-cêntricas) e epistemológica (deslegitimação das epistemologias surdas). Como resultado, conclui-se que o enfrentamento ao ouvintismo estrutural exige o fortalecimento de práticas de resistência da comunidade surda — movimentos sociais, escolas bilíngues, produções culturais e acadêmicas em Libras — e sua articulação com epistemologias decoloniais, capazes de reposicionar a surdez como diferença cultural, linguística e epistêmica, e não como deficiência.
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