Inclusão escolar dos sujeitos surdos: uma estratégia de governamento que contribui para o funcionamento de uma racionalidade econômica neoliberal
Resumo
Este artigo analisa algumas estratégias de governamento dos sujeitos surdos na e para a inclusão escolar. O <em>corpus </em>da investigação foi constituído de documento produzido pela comunidade surda e documentos legais do Ministério da Educação e Cultura (MEC) referentes à educação de surdos e à educação inclusiva, compreendendo o recorte temporal de uma década - período de 1999 a 2009. Entendemos a inclusão escolar dos sujeitos surdos como uma estratégia de governamento que contribui para o funcionamento de uma racionalidade econômica neoliberal e que convoca a todos para participarem do jogo do mercado. Nesse jogo, cada um é empresário de si e joga conforme suas fichas lhe permitem. Na proposta de inclusão escolar dos sujeitos surdos as condições de acesso e de participação encontram-se dadas pela garantia legal de profissionais docentes e tradutores/intérpretes proficientes na Língua de Sinais, mas cabe a cada surdo gerir e operacionalizar sua participação no jogo concorrencial que consubstancia mercado e educação. A partir disso, são operadas diferentes estratégias de governamento dos surdos no campo educacional contemporâneo, dentre elas, destacamos o compromisso assumido pelo Estado em criar formas de acessibilidade para que os surdos possam participar da escola, atribuindo-lhes a responsabilidade pela sua participação, e a certificação e difusão do uso da Libras por meio do Prolibras, que amplia as possibilidades de trabalho para os surdos e gerencia o risco do desemprego e da exclusão.
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