Discursos de pais de crianças surdas: Educação Infantil e a presença da Libras
Resumo
Este artigo tem como objetivo apresentar um recorte de uma pesquisa de mestrado realizada no Programa de Pós-Graduação em Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A pesquisa problematizou as escolhas linguísticas nas instruções escolares, com foco na Educação Infantil, feitas por pais e responsáveis de crianças surdas, matriculadas nesta etapa educacional. O intuito da pesquisa foi de ressaltar, a partir do discurso de pais e responsáveis quais tipos de instrução escolar estavam sendo disponibilizados para essas crianças, e se a Língua Brasileira de Sinais – Libras, estava sendo utilizada no processo de aprendizagem ou não. A pesquisa refere-se a um estudo de caso com abordagem qualitativa descritiva. Utilizou-se, como instrumento de coleta de dados, entrevistas semiestruturadas. Participaram da entrevista quatro mães e um pai de filhos surdos, inseridos em escolas com propostas bilíngues, em três municípios do interior do estado de São Paulo. As análises foram realizadas com base nas filosofias da diferença, especificamente nos estudos de Michel Foucault. Pode-se observar a entrada da Língua de Sinais no seio familiar e social, assim como sua importância para o desenvolvimento das crianças. O discurso dos responsáveis, a partir de um viés clínico, ainda é presente, mas tomando por base a preocupação com barreiras sociais que levam os familiares a procurar soluções médicas. Portanto, pode-se afirmar que, apesar do discurso da surdez como deficiência ainda ser presente, na fala dos pais, a Língua de Sinais tem ganhado visibilidade social e é de conhecimento das famílias.
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