A Profissionalização de tradutores/intérpretes de língua de sinais na cidade de Pelotas/RS:
Resumo
Neste artigo, são retomados alguns processos implicados na profissionalização dos tradutores/intérpretes de língua de sinais no extremo sul do país por meio de documentos históricos e, também, da narrativa de uma das primeiras profissionais de Libras a atuar na cidade de Pelotas/RS. A base empírica compreende documentos e normativas que orientam a profissão, dados oriundos de outros estudos acadêmicos e, ainda, transcrições de entrevista realizada com uma das primeiras tradutoras/intérpretes da região. Os resultados deste estudo permitem entender que os tradutores/intérpretes de língua de sinais foram gradativamente conquistando espaços e circunscrevendo um campo específico de atuação, conjuntamente negociado. Observa-se, nos documentos e normativas que orientam a atuação desses profissionais, um investimento na produção de um perfil com propósitos distintos em cada tempo e contexto histórico, e vislumbra-se uma mudança de ênfase: se antes tais documentos orientavam-se fortemente para a regulação da conduta do profissional, na atualidade, voltam-se para competências tradutórias e para o cumprimento de regras já consolidadas sobre a profissão. Os depoimentos orais de uma profissional com larga experiência possibilitaram recuperar alguns aspectos sobre a história da profissionalização dos tradutores/intérpretes na cidade de Pelotas/RS e permitiram entender como se estabeleceram os processos de avaliação e validação do trabalho destes profissionais, num tempo em que não havia, ainda, normativas específicas. Destaca-se, ainda, o caráter político da atuação dos tradutores/intérpretes de língua de sinais na articulação às lutas empreendidas pelas comunidades surdas pelo reconhecimento, valorização e ampliação dos espaços de visibilidade da Língua Brasileira de Sinais no estado do Rio Grande do Sul.
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