Icônico ou arbitrário? Motivado ou imotivado? O signo linguístico na Língua Brasileira de Sinais
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Resumo
Para Saussure (2006 [1916]), o signo linguístico é essencialmente arbitrário: não há nenhuma relação de motivação entre o significante de um signo e o significado que ele veicula. Não parece, contudo, ser esse o caso das línguas de sinais, principalmente se considerarmos a modalidade gesto-visual dessas línguas. Strobel e Fernandes (1998) e Quadros e Karnopp (2004) afirmam e defendem que as línguas de sinais são essencialmente arbitrárias. Entretanto, há autores que consideram que a iconicidade esteja significativamente presente nessas línguas, como Ferreira-Brito (1995), Klima e Bellugi (1979), Sherman Wilcox (2004), Taub (2001), Xavier (2006), entre outros. Discutir as noções de arbitrariedade e de iconicidade nas línguas de sinais não é trivial. Aliás, por vezes, a iconicidade representou (e, em alguns casos, talvez, ainda represente) um problema para a aceitação de línguas sinalizadas, enquanto línguas naturais, uma vez que, por um lado, ela está significativamente presente nessas línguas e, por outro lado, a arbitrariedade consiste em um princípio linguístico, comum a todas as línguas. Nesse sentido, o objetivo principal desta dissertação é (re)discutir, bem como problematizar, as noções de arbitrariedade e de iconicidade nas línguas de sinais, de modo geral, e na Língua Brasileira de Sinais (Libras), de modo específico. Para isso, fizemos uma revisão na literatura, a fim de verificar o modo como esses conceitos vêm sendo abordados em línguas sinalizadas, e analisamos os sinais que compõem a letra ‘A’ de Capovilla et al. (2017), no que diz respeito à(s) possível(is) motivação(ões) que eles apresentam. Encontramos e categorizamos motivações de seis tipos: (1) classificador; (2) gestualidade; (3) espacialidade; (4) empréstimo linguístico do português; (5) expressão não manual; e (6) movimento. Observamos algumas sistematizações em relação a essas motivações e percebemos que algumas delas nem sempre...
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