Quem é Valerie Sutton?
Valerie Sutton (nascida em 22 de fevereiro de 1951, em Manhattan, Nova York) é uma pesquisadora, ex-bailarina clássica, coreógrafa e inventora norte-americana. Ela é mundialmente conhecida como a criadora do Sutton Movement Writing, um conjunto abrangente de sistemas gráficos desenvolvido para registrar e transcrever todas as formas de movimento do corpo humano.
Sua contribuição mais célebre e de maior impacto social é o SignWriting, um sistema internacional que permite a pessoas surdas ler e escrever qualquer língua de sinais de maneira visual direta, sem a necessidade de recorrer a línguas orais.
A formação no balé clássico e a criação do DanceWriting
Durante sua juventude no sul da Califórnia, Valerie Sutton dedicou-se intensamente ao balé clássico entre 1961 e 1970. Em 1970, mudou-se para Copenhague, na Dinamarca, para aperfeiçoar sua técnica de dança com mestres do prestigioso Real Balé Dinamarquês (Royal Danish Ballet).
Sentindo a necessidade de anotar rapidamente no papel as complexas coreografias e sequências de passos ensinadas nas aulas para não esquecê-las, Sutton desenvolveu em 1972 um método pessoal de notação gráfica de movimentos, batizado inicialmente de Sutton Movement Shorthand e mais tarde conhecido como DanceWriting. Em 1974, publicou seu primeiro livro sobre o tema, formalizando a escrita de dança.
O convite dinamarquês e a invenção do SignWriting (1974)
A publicação do método de DanceWriting chamou a atenção de pesquisadores do Centro de Audiologia da Universidade de Copenhague, liderados pelo Dr. Lars von der Lieth. Naquele momento, os pesquisadores dinamarqueses procuravam uma maneira científica e precisa de documentar os sinais da Língua de Sinais Dinamarquesa gravados em fitas de vídeo.
Convidados por Von der Lieth, Sutton aceitou o desafio de transcrever os sinais da comunidade surda para símbolos visuais. Ao perceber que as línguas de sinais possuíam uma riqueza visual tridimensional que envolvia expressões faciais, contato com o corpo e orientação precisa das palmas das mãos, Sutton adaptou sua notação de dança para focar na dinâmica da cabeça, tronco, mãos e face, dando origem oficial ao SignWriting em 1974.
O Center for Sutton Movement Writing e os avanços tecnológicos
Para assegurar a difusão gratuita, o aprimoramento contínuo e o suporte comunitário aos seus sistemas, Valerie Sutton fundou em 1974 a organização sem fins lucrativos Center for Sutton Movement Writing (CSMW), sediada em La Jolla, Califórnia. O sistema global foi estruturado em cinco ramificações:
1. SignWriting: Destinado à leitura e escrita de todas as línguas de sinais do mundo.
2. DanceWriting: Notação de coreografias de balé clássico, dança contemporânea e folclórica.
3. MimeWriting: Registro de artes mímicas clássicas e expressividade teatral.
4. SportsWriting: Notação de movimentos atléticos para ginástica artística, patinação e artes marciais.
5. MovementWriting: Notação científica para fisioterapia, ergonomia e estudos cinestésicos.
Com o avanço da informática, Sutton liderou parcerias fundamentais para digitalizar o sistema. Em 1986, em conjunto com Richard Gleaves, lançou o software SignWriter. A partir de 2004, em cooperação com o programador Steve Slevinski, desenvolveu o SignPuddle e a padronização do Alfabeto Internacional de SignWriting (ISWA), permitindo a escrita de sinais em navegadores de internet, dicionários digitais colaborativos e o reconhecimento do sistema no padrão internacional ISO 15924 (código oficial Sgnw).
O impacto da obra de Valerie Sutton no Brasil e no mundo
Atualmente, o SignWriting é ensinado e pesquisado em mais de 60 países. No Brasil, o sistema encontrou um dos seus ecossistemas mais férteis a partir de 1996, quando foi introduzido na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) pelo Dr. Antônio Carlos da Rocha Costa, com a participação destacada da Profa. Dra. Marianne Rossi Stumpf e da Profa. Dra. Márcia de Borba Campos.
A acolhida da escrita de sinais resultou na tese de doutorado de Marianne Stumpf (UFRGS/Paris 8, 2005), na inclusão obrigatória da disciplina de Escrita de Sinais no curso de graduação em Letras Libras da UFSC desde 2006 e na publicação de monumentais dicionários pelo Prof. Dr. Fernando César Capovilla (USP).
A criação genial de Valerie Sutton devolveu à comunidade surda a soberania sobre sua própria linguagem, possibilitando que histórias, memórias, pesquisas científicas e obras literárias : como o clássico infantil "Uma Menina chamada Kauane", de Karin Strobel e Marianne Stumpf : sejam escritas e eternizadas diretamente na língua visual dos surdos.
Livro "Uma Menina chamada Kauane", escrito por Karin Strobel e traduzido para Libras por Marianne Stumpf, usando SignWritingVídeos Compartilhados
Valerie Sutton para o Congresso Brasileiro de Letras em Bacabal m agosto de 2017
Valerie Sutton criou este vídeo para os participantes aprenderem o método "SignWriting no Primeiro Congresso Internacional de Letras da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em Bacabal, Brasil, de 23 a 25 de agosto de 2017. Agradecemos efusivamente ao Professor Gérison Kézio!




