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Os Cinco Parâmetros da Libras


As línguas que as comunidades surdas do mundo desenvolveram, passam por processos de denominação um pouco diferentes, embora comparáveis em alguns pontos aos das outras línguas orais.

Quando falamos sobre os articuladores da língua de sinais, certamente podemos pensar em mãos. Mas na realidade, são usados como articuladores, além de mãos, outras partes do corpo, como a cabeça, face e tronco.


RESUMO

Quais são os cinco parâmetros formativos das Libras?

  • 1 - A configuração da mão;
  • 2 - Ponto ou local de articulação;
  • 3 - O movimento;
  • 4 - Orientação/direcionalidade;
  • 5 - Expressão facial e/ou corporal;

Vamos conhecer cada um dos parâmetros:

1 - A configuração da mão:

A configuração adotada pela mão, tem como resultado a posição dos dedos. Cada configuração pode ser feita pela mão dominante (mão direita para os destros, mão esquerda para os canhotos), ou pelas duas mãos dependendo do sinal. Os sinais APRENDER, SÁBADO, LARANJA e DESODORANTE-SPRAY têm a mesma configuração de mão e são realizados na testa, na boca e na axila, respectivamente.


Exemplos de configuração de mão Libras
Exemplos de sinais que utilizam a mesma configuração de mão: sinal de "aprender", "sábado", "laranja" e "desodorante-spray".
Fonte: Felipe, Tanya A., Monteiro, Myrna Salerno S. - Libras em Contexto - Livro do Professor pg. 21.


De acordo com Felipe e Monteiro (2007, pg. 21), na Libras há 64 configurações distintas:


Tabela das configurações de mão
As 64 configurações de mão da Libras.
Fonte: Felipe, Tanya A., Monteiro, Myrna Salerno S. - Libras em Contexto - Livro do Professor pg. 28.


2 - Ponto ou local de articulação

Este parâmetro indica onde o sinal pode ser realizado. Ele é delimitado pela extensão máxima dos braços do emissor e ocorre tocado em alguma parte do corpo ou no espaço neutro, que é a região do meio do corpo até à cabeça ou para frente do emissor.

Deve-se dizer que no discurso normal as extremidades são articuladas em um espaço mais limitado que a extensão máxima, portanto, o tamanho do sinal pode ser comparado à intensidade da voz.

Felipe e Monteiro (2007, pg. 22) citam como exemplos de ponto ou local de articulação os sinais TRABALHAR, BRINCAR, PAQUERAR, realizados no espaço neutro e os sinais ESQUECER, APRENDER e DECORAR realizados na testa.


Exemplos de ponto de articulação
Exemplos de ponto ou local de articulação.
Fonte: Felipe, Tanya A., Monteiro, Myrna Salerno S. - Libras em Contexto - Livro do Professor pg. 22.


3 - O movimento

Alguns sinais são estáticos em um local, outros contêm algum movimento. Dessa forma, podemos entender que o parâmetro de movimento refere-se ao modo como as mãos se movimentam (movimento linear, em movimento da forma de seta arqueada, circular, simultânea ou alternada com ambas as mãos, etc.) e para onde estão movimentando (para a frente, em direção à direita, esquerda, etc...).

Alguns exemplos de sinais com movimento e sinais sem movimento:


Exemplos de sinais com movimento e sem movimento
Exemplos de sinais com movimento e sem movimento.
Fonte: Felipe, Tanya A., Monteiro, Myrna Salerno S. - Libras em Contexto - Livro do Professor pg. 22.


4 - Orientação/direcionalidade

É o plano em direção ao qual a palma da mão é orientada. Alguns sinais têm a mesma configuração, o mesmo ponto de articulação e o mesmo movimento, e diferem apenas na orientação da mão. É importante perceber como a modificação de um único parâmetro pode alterar completamente o significado do sinal.

Segundo Felipe e Monteiro (2007, pg. 23) os verbos IR e VIR se opõem em relação à direcionalidade, como os verbos SUBIR e DESCER, ACENDER e APAGAR, ABRIR-PORTA e FECHAR-PORTA.


Exemplos de orientação e direcionalidade
Exemplos de sinais com movimento e sem movimento.
Fonte: Felipe, Tanya A., Monteiro, Myrna Salerno S. - Libras em Contexto - Livro do Professor pg. 23.


5 - Expressão facial e/ou corporal

Também chamados de componentes não manuais, incluem o uso de expressões faciais, linguagem corporal, movimentos da cabeça, olhares, etc.

Se uma pessoa quer demonstrar que está com raiva de alguém ou de algo, talvez não precise usar nem um sinal. Basta utilizar apenas a expressão facial. Ou, se alguém fizer uma pergunta para responder "sim" ou "não", basta simplesmente balançar a cabeça de acordo. Estas são simples situações para exemplificar este parâmetro, todavia, durante uma conversa em Libras, é necessário combinar diversos componentes não manuais com sinais específicos para esclarecer a mensagem.

Exemplos de componentes não manuais, extraído de Ferreira-Brito (1995, p.240 - 242):


  • Rosto:
    Parte superior: sobrancelhas franzidas; olhos arregalados; lance de olhos; sobrancelhas levantadas.
    Parte inferior: bochechas infladas; bochechas contraídas; lábios.
  • Cabeça:
    Movimento de assentimento (sim); movimento de negação; inclinação para frente; inclinação para o lado; inclinação para trás.
  • Rosto e cabeça:
    Cabeça projetada para frente; olhos levemente cerrados, sobrancelhas franzidas; cabeça projetada para trás e olhos arregalados.
  • Tronco:
    Para frente; para trás; balanceamento alternado (ou simultâneo) dos ombros.

Segundo Felipe e Monteiro (2007, pg. 27): "Na combinação destes quatro parâmetros, ou cinco, tem-se o sinal. Falar com as mãos é, portanto, combinar estes elementos para formarem as palavras e estas formarem as frases em um contexto".

Geralmente, a expressão facial e/ou corporal se desenvolve ao longo do tempo à medida em que se torna fluente em Libras. Ao conversar com pessoas surdas, é importante observar quais componentes não manuais elas usam. Por exemplo: balançam a cabeça para indicar uma afirmação? Movimentam o corpo ou os olhos? Fazem expressões faciais quando estão conversando sobre felicidade, tristeza, raiva, susto? Por isso é extremamente importante observar cuidadosamente os sinais e seus parâmetros para reproduzi-los corretamente.


Exemplos de expressão facial em Libras
Exemplos do uso da expressão facial como traço diferenciador.
Fonte: Dicionário de Libras Online do INES, disponível em http://www.acessobrasil.org.br/libras/


Referências:

ASLDEAFINED. Non-manual markers in American Sign Language (ASL). Disponível em: <https://blog.asldeafined.com/2011/07/non-manual-markers-in-american-sign-language-asl/>. Acesso em: 17 Nov. 2019.

FELIPE, TANYA AMARA. O discurso verbo-visual na língua brasileira de sinais - Libras. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S2176-45732013000200005&script=sci_abstract&tlng=pt>. Acesso em: 16 Dez. 2019.

FELIPE, TANYA AMARA; MONTEIRO, MYRNA. Libras em Contexto: Curso Básico - Livro do Professor. ed. 6. Brasília/DF: Programa Nacional de Apoio à Educação dos Surdos, MEC: SEEP, 2007.

FERREIRA-BRITO, LUCINDA. Por uma gramática de línguas de sinais. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1995. p. 240.

INES. Dicionário da Língua Brasileira de Sinais. Disponível em: <http://www.acessobrasil.org.br/libras/>. Acesso em: 16 Dez. 2019.

TV INES. Aula de Libras - Parâmetros - Configuração de mãos, ponto de articulação, movimento, orientação e expressão corporal e facial. Esses são alguns dos parâmetros para o aprendizado de Libras e Heveraldo explica cada um. 2013. (11:13). Disponível em: <http://tvines.org.br/?p=707>. Acesso em: 17 Nov. 2019.

Informações do Artigo:

Publicado: 26/08/18 | Atualizado: 19/03/20 | Acessos: 209519

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Autor:
ALMIR CRISTIANO

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